Geração insaciável

Celular de última geração, roupa de grife, tênis de marca, shopping e sacolas cheias, cartões de crédito e até empréstimo.

Este é um quadro muito comum na nossa sociedade, e atualmente corriqueiro entre os jovens e adolescentes.

Estudos revelam que os jovens brasileiros lideram o ranking dos mais consumistas.

Uma pesquisa, feita pelo Instituto Ipsos-Marplan averiguou que 37% dos jovens fazem compras em shoppings e que pessoas com menos de 25 anos trocam de celular uma vez por ano. Também é um dado que em famílias com adolescentes entre 13 e 17 anos o consumo mensal é maior.

O mais interessante é que o consumismo não costuma ser visto como um problema, mas para algumas pessoas é encarado como o ingresso do adolescente no mundo adulto, onde se começa a ter a responsabilidade com o próprio dinheiro.

A verdade é que se gasta muito dinheiro em publicidade específica para atrair esta faixa etária, e com métodos bastante convincentes. E eles caem nessas armadilhas.

Por que será?

Uma boa explicação é que os jovens consomem em busca da auto-afirmação e também para fazer parte de um determinado grupo. Como estão em busca da afirmação da identidade, esta é uma forma de ser no mundo, ou seja, de se sentirem participantes da sociedade. E aqui está um dos primeiros problemas dessa era consumista, já que a forma de alguns adolescentes se sentirem reconhecidos como pessoas valoriza o TER e não o SER. A ênfase está nos bens e não no caráter.

Outro problema é que como o mercado que dita as regras de consumo, sugere que façam suas compras com urgência e que sempre estejam atualizados, já que logo haverá outra novidade. Alguns adolescentes nunca sentem saciedade, o que caracteriza uma compulsão.

Sempre querem o celular que acabou de ser lançado, assim o celular antigo se torna ultrapassado não presta mais. Da mesma forma, a tendência é que os afetos também se tornem descartáveis, consequentemente as relações e pessoas se tornam descartáveis.

Enfim, o último problema que verificamos está relacionado ao imediatismo.

Alguns adolescentes querem ter, e querem imediatamente!

O que vale é a lei do AQUI e AGORA. Só pensam no que está reservado para o presente e tem pouca, ou nenhuma visão de futuro. Não refletem sobre o futuro e também não o planejam. Até podem tomar decisões irrefletidas, não pensando nas possíveis consequências visando o prazer imediato.

Como podemos ensinar sobre o porvir se querem saber apenas do presente?

Como se explica a importância de manterem-se santos hoje a fim de ter uma vida melhor e receber uma recompensa futura?

Vivemos um tempo problemático, estamos inseridos neste contexto materialista e imediatista. O que fazer? A verdade é que os adolescentes ainda estão numa fase de aprendizado. Claro que seu comportamento refletirá os princípios e valores adquiridos desde a infância, mas ainda é tempo de ensino. Portanto, você pai ou mãe não deixe de ensinar sobre a necessidade de juntarmos bens mais excelentes que os terrenos. Ensine-os a guardar o coração, não permitindo que o materialismo as escravize (Mt 6:24). Ensine de forma a que eles possam ser autônomos, prontos para decidirem por uma recompensa vindoura e não pelos bens que trazem prazer ilusório.

Por: Virginia Ronchete David Perez

Fonte: DIJAP