Ester, exemplo de fé, sabedoria e coragem

É muito comum ouvir-se, especialmente no mês de maio, mensagens e comentários enaltecendo o papel da mulher. Porém, a mulher que mais se homenageia nessa época do ano, é a mulher-mãe, até porque fazendo isso, atinge-se um maior número delas. Porém, o fato de uma mulher não ser mãe, não diminui a importância do seu papel, e este, precisa ser lembrado todos os meses do ano, e não apenas no mês de maio.

Na preparação da presente mensagem, inspiramo-nos no exemplo de uma mulher, de quem sequer sabemos se chegou a ser mãe, mas que teve atuação relevante no tempo e no espaço em que viveu, a despeito das adversidades contra as quais precisou lutar para alcançar seus objetivos. Sua atitude é vista hoje como referencial para todos os que necessitam de fé, sabedoria e coragem.

1. A mulher e seu papel histórico

Antes de entrarmos na apreciação desse exemplo, queremos observar que, historicamente, a mulher nem sempre esteve na linha de frente na execução dos projetos humanos mais importantes. Entretanto, mesmo a despeito disto tem ela desempenhado importante papel tanto na história secular como na história sagrada. Na história secular não podemos esquecer Joana D´Arc, Anita Garibaldi, Indira Gandi, Golda Meir e Margareth Tatcher, para não mencionar outras tantas.

Na história do povo de Deus, merecem menção especial Sara, Débora, Noêmia, Rute, Ester, Ana, Maria, entre outras. Ester, por exemplo, foi o instrumento do qual Deus se utilizou para executar Seus planos em favor de Seu povo, em um tempo de crise. É dela que vamos falar a partir de agora, enfatizando principalmente seu exemplo de fé, sabedoria e coragem.

2. A saga de um povo sob ameaça de extinção

Os judeus viviam em território persa, sob o reinado de Assuêro, mas sem abdicarem de seus costumes e suas leis. E porque não se curvaram diante das leis dos persas naquilo em que estas leis contrariavam sua consciência religiosa, foram por isso odiados. Hamã, um dos súditos do rei Assuero, incomodado com a forma respeitosa como alguns judeus eram tratados pelo rei, conseguiu a aprovação de um decreto que determinava a morte de todos eles, em um só dia.

A notícia dessa decisão criminosa chegou aos ouvidos de todos os judeus, causando-lhes profunda consternação e tristeza. Só um milagre da parte de Deus poderia impedir que isto acontecesse. E era preciso buscar esse milagre. É aqui que entra em cena a pessoa e a sabedoria de Ester. Este fato histórico contém muitas lições importantes para nossas vidas. Descobri-las e inseri-las em o nosso viver diário, constitui o propósito desta mensagem.

3 . Ester, sua linhagem, formação influência

Ester era de origem judia e fora criada e educada junto a seu tio Mordecai (ou Mardoqueu), de quem herdara a fé e a crença no Deus Todo-poderoso. Graças a sua crença em Deus, sua inteligência e sua honestidade, o Senhor a abençoou poderosamente. Submetida a um rigoroso teste de seleção, Ester foi escolhida pelo rei Assuero para ser a rainha da Pérsia, em substituição à Vasti, que fora destituída por um ato de insubmissão ao rei.

Quando Mardoqueu tomou conhecimento da decretação de extermínio de seu povo, procurou imediatamente a Ester para que intercedesse junto ao rei, no sentido de revogar o decreto, e o mais depressa possível. E ela era, naquela circunstância, a pessoa mais indicada para o desempenho desse papel, pela influência política que exercia no reino, na qualidade de rainha. A situação era por demais aflitiva para os judeus e exigia uma solução urgente, ainda que a custo de grande sacrifício.

3.1. Ester aceita o papel de mediadora.

Ester aceitou o papel de mediadora entre seu povo e o rei seu marido, mas reconheceu desde o início, as dificuldades pelas quais deveria passar. Os persas eram muito rigorosos no cumprimento de suas leis, e Ester, mais do que qualquer outra pessoa sabia disto. Ela sabia que Vastí, a primeira esposa de Assuero, que ora estava substituindo, fora destituída do posto de rainha, por um ato de insubmissão, ainda que justificável.

E o mesmo rei que fizera isto uma vez poderia fazê-lo novamente. Era preciso muita sabedoria e muita orientação de Deus para que tudo desse certo. Chegou mesmo o momento em que ela considerou impossível, vista da perspectiva humana, Pedir a revogação de uma lei persa, poderia ter conseqüências fatais para quem o fizesse, já que as leis persas não podiam ser mudadas.

3.2. A estratégia usada por Ester

A estratégia usada por Ester para solucionar o problema representado pelo decreto real que autorizava a morte de todos dos judeus, envolveu as seguintes medidas: a) a realização de um jejum coletivo; b) uma audiência com o rei; c) a indicação do conspirador e d) o pedido de anulação do decreto.

3.2.1. O jejum coletivo:

O jejum proclamado deveria durar três dias e ninguém deveria ficar de fora. Ela mesma, e as moças que estavam a seu serviço, também participariam desse sacrifício. Só depois disto ela iria tentar uma audiência com o rei.

3.2.3. A audiência com o rei:

A lei persa previa pena de morte para quem, sem ser chamado tentasse falar ao rei, e qualquer pessoa que quebrasse esse protocolo deveria ser morta, a não ser que, no momento da aproximação, o rei, estendesse em sua direção o seu cetro. A própria rainha Ester, apesar de sua estreita relação com o rei, não podia achegar-se a ele sempre que quisesse. Esta foi a primeira grande prova de fé a que Ester, a serva do Senhor, foi submetida.

De acordo com a lei, Ester estava impedida de comparecer à presença do rei pelo prazo de trinta dias. Como já dissemos, o problema exigia solução urgente; qualquer demora poderia ser fatal para todos os judeus. Ester colocou o problema nas mãos de Deus e decidiu quebrar a lei, convencida de que a causa que abraçara era muito mais importante do que qualquer preceito humano.

Era a vida de seu povo que estava em jogo e ficar parada num momento desses, sem nada fazer, era para ela uma falta tão grave que não mereceria perdão. As palavras de seu tio Mardoqueu soavam-lhe sem cessar aos ouvidos: “…E quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”, Et. 4: 14. Por que fora escolhida, num processo de seleção que reuniu moças belas e formosas de todo o reino, sendo ela uma estrangeira?

Para que então fora ela constituída rainha numa nação que não era a sua? Será que Deus não tinha um plano especial para a sua vida? Será que não havia chegado o momento de executar o plano de Deus e declará-lo poderoso e digno de glória? Pensando assim, começou a agir.

Feito o jejum, Ester foi à presença do rei. Este estendeu para ela o seu cetro (cajado ou bastão), recebendo-a com alegria. Um outro grande passo havia sido dado. Ester usou toda a sabedoria que Deus lhe deu: Não abordou diretamente o problema; executou sua estratégia por etapa: convidou o rei para assistir a um banquete e até este ponto nenhuma revelação especial fora feita ao rei por parte de Ester.

3.2.4. o primeiro banquete:

Depois de ter sido recebida pelo rei, Ester encheu-se de coragem, considerando que, se uma da regra tinha sido quebrada, outras tantas também poderiam ser, com a ajuda de Deus. Convidou-o para um banquete e ele o aceitou. Ester estava aguardando o momento certo para apontar o conspirador e pedir a anulação do decreto.

5. Um fato novo Precipita a resposta divina

Numa daquelas noites, enquanto se desenrolava o maldoso plano de Hamã, o rei Assuero, tendo perdido o sono, pediu que lhe trouxessem o livro das crônicas do reino e estas foram lidas diante dele. Foi esta a forma estranha usada por Deus para mudar o rumo das coisas. Pela leitura dessas memórias, Assuero tomou conhecimento de que fora salvo de um atentado contra sua vida, graças a uma denúncia feita por Mardoqueu.

3.2.5. O rei decide recompensar seu benfeitor

Sabedor de que nenhuma recompensa fora dada àquele homem, pelo seu gesto de lealdade, decidiu gratificá-lo por isso. A forma como isto foi feito está descrita no texto a seguir:

“Então disse o rei: Quem está no pátio? …E os mancebos do rei lhe disseram: Eis que Hamã está no pátio. E disse o rei que entrasse. E, entrando Hamã, o rei lhe disse: Que se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada? Então Hamã disse no seu coração: De quem se agradará o rei para lhe fazer honra mais do que a mim? Pelo que disse Hamã ao rei: O homem de cuja honra o rei se agrada, traga o vestido real de que o rei se costuma vestir, monte também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ponha-se-lhe a coroa real na sua cabeça…

“E entregue-se o vestido e o cavalo, à mão de um dos príncipes do rei, dos maiores senhores, e vistam dele aquele homem de cuja honra se agrada; e levem-no a cavalo pelas ruas da cidade , e apregoe-se diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada! Então disse o rei a Hamã: Apressa-te, toma o vestido e o cavalo, como disseste e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma deixes cair de tudo quanto disseste…

E Hamã tomou o vestido e o cavalo, e vestiu a Mardoqueu, e o levou a cavalo pelas ruas da cidade, e apregoou diante dele: Assim se fará ao homem de cuja honra o rei se agrada! Depois disto Mardoqueu voltou para a porta do rei; porém Hamã saiu correndo à sua casa , enojado, e com a cabeça coberta. E contou Hamã a Zeres, sua mulher, e a todos os seus amigos, tudo quanto lhe tinha sucedido. Então os seus sábios, e Zeres, sua mulher lhe disseram: Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da semente dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes, certamente cairás perante ele. Estando eles ainda falando com ele, chegaram os eunucos do rei, e se apressaram a levar Hamã ao banquete que Éster preparara”, 6: 4-14. Este fato pode ser considerado uma intervenção divina para a solução do problema que tanto afligia os judeus.

3.2.6. O segundo banquete e a denúncia contra Hamã

Enquanto o rei participava do segundo banquete, Ester fê-lo ciente de que um dos seus súditos planejava destruir todos os judeus residentes em Susã. Quando o rei perguntou-lhe: “quem é e onde está esse, cujo coração o instigou a fazer assim?”, Ester respondeu-lhe: O homem, o opressor, e o inimigo é este mau Hamã.

3.2.7. Desesperado, Hamã complica ainda mais a situação

Indignado, o rei Assuêro afastou-se da sala onde se realizava o banquete e saiu para o jardim. Aproveitando-se da ausência do rei, Hamã prostrou-se sobre o leito da rainha Éster, para lhe pedir clemência. Nesse exato momento, o rei entrou e, vendo Hamã debruçado sobre o leito da rainha, exclamou: “Porventura quereria ele forçar a rainha perante mim nessa casa?” vv 7 e 8. A sentença de Hamã estava lavrada.

3.2.8. O feitiço foi aplicado contra o feiticeiro

Então o rei, sabedor de que Hamã havia preparado uma forca para enforcar Mardoqueu, determinou que ele, Hamã, fosse enforcado nela, fazendo assim, que o feitiço caísse contra o feiticeiro.

3.2.9. A lição que ficou – Conclusão

O que aconteceu no passado, com o povo judeu, poderá repetir-se conosco, no tempo presente. O povo de Deus nunca esteve totalmente isento de perseguições; o que mudam com o passar do tempo, são as formas de perseguição e os métodos usados pelo inimigo. A única certeza que temos é a de que, ainda hoje, assim como no passado, Deus não permitirá que o inimigo triunfe sobre Seu povo, a não ser que não haja quem esteja disposto a orar e jejuar como no tempo de Ester.

Hamã, nessa nossa abordagem, é visto como uma figura de satanás, cujo propósito sempre foi o de roubar, matar e destruir. Contra esse inimigo não podemos descuidar; ele continua perseguindo o povo de Deus de todas as maneiras, em todos os tempos e lugares. Em muitos casos, usa as autoridades e a própria lei, para chegar a seus objetivos criminosos. O que ele não sabe, ou não quer admitir, é que temos a nosso favor uma força incomparavelmente superior a dele.

O que precisamos fazer para vencer esse grande inimigo, é aceitar o sacrifício imposto por quem, no momento, esteja representando o pensamento de Deus, para que a vitória contra essa força malignas seja concretizada. Há ocasiões em que, só com a quebra de alguma formalidade humana, como por exemplo a alteração de uma lei, a bênção divina poderá ser conseguida. Porém, quando Deus opera, não há barreira que não seja derribada, como aconteceu nos dias de Éster.

E, neste caso, em particular, Deus usou como instrumento uma mulher. Que cada mulher crente tome consciência da força que representa e do quanto poderá fazer pela salvação daqueles que estão sentenciados à morte. E que ajam com fé e confiança naquEle que tudo pode. Quando isto for feito, a vitória festejada no tempo de Ester se repetirá ainda hoje.

Dsa. Elisa Ribas
Vice-Diretora RESOFAP RondoAcre Sul 
1ª IAP de Ji-Paraná/RO