Deus me devolveu?

Deus me devolveu???

Deparei-me recentemente com a seguinte frase adesivada num veículo à minha frente: Deus me devolveu!!!

Instantaneamente, senti uma repulsa. Pareceu-me de um atrevimento insondável. Passada a reação instantânea, vi-me imersa em meus pensamentos tentando entender o raciocínio do autor da frase. O que realmente ele quis dizer?

Talvez, fosse uma interpretação teologicamente incorreta das bênçãos prometidas por Deus aos dizimistas (Ml 3:10). Nesse caso, por ser ele dizimista, Deus o teria abençoado com o recurso material necessário para comprar aquele veículo. Mas, nesse raciocínio, a frase ainda ficava absurdamente incorreta. Afinal, se devolve aquilo que pertence ao outro. E no caso em questão, o dízimo, somos nós quem o devolvemos a Deus, o dono, por direito, de tudo o que, por pura bondade e misericórdia, Ele coloca em nossas mãos.

Fiquei procurando, então, algum significado que tornasse a frase verdadeira. O que poderia ter sido “meu” para que Deus me devolvesse?

“Minha”, era a cruz que Cristo carregou…

“Meus”, eram os pecados que ele tomou sobre si (Is 53:4, 5)…

“Minha”, era a condenação eterna que eu merecia (Rm 6:23)…

Imediatamente louvei a Deus pela “graça”, favor imerecido de Deus (Ef 2:4 a 8) e, feliz e aliviada, concluí:

– Aleluia! Ele NÃO me devolveu!!!

Elaine Corrêa Fontana Cunha