Aborto? Aborte essa ideia!

Quem pode interromper a vida?

A complexa questão do aborto

O que é o aborto? De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) é a expulsão do concepto com peso inferior a 500g com cerca de 20-22 semanas completas de gestação, podendo ser provocado ou espontâneo. Ainda de acordo com a OMS, 31% das gestações em brasileiras terminam em abortamento. Há  uma estimativa de que ocorram anualmente 1,4 milhão de abortos espontâneo e provocado, com uma taxa de 3,7 abortos para cada 100 mulheres em idade entre 15 a 49 anos.

No Brasil o aborto provocado é crime pautado no Artigo 124 do decreto de lei n°2.848 de 07 de dezembro de 1940, que se refere a “provocar Aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque: Pena – detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos”. Há casos em que a legislação permite que o aborto seja feito: nos casos de estupro, ou quando exames mostram que o feto é anormal ou quando a saúde da mãe está em perigo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) indica que em 2016 foram realizadas 197.026 internações devido a abortos e os atendimentos hospitalares em decorrência disso custaram R$46.779.250,35. Há um registro de cerca de 47 mil mortes /ano de mulheres por complicações de abortos provocados mundialmente, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Muitos dados estão camuflados no Brasil pois há subnotificação de óbitos maternos. Mascara-se a causa básica da morte e impede-se a identificação do óbito.

Os riscos de se interromper uma gestação de forma insegura são muitos: grandes hemorragias, perfurações uterinas decorrentes de cânulas ou sondas, ulcerações do colo ou da vagina por uso de comprimidos, infecções, esterilidade secundária a procedimentos, salpingite crônica, algias pélvicas, transtornos menstruais e complicações obstétricas, tais como inserção anormal da placenta, abortamento habituais, partos prematuros, dentre outras, podendo até chegar à morte materna em decorrência das complicações. Como notamos, além de ser crime, os abortos clandestinos podem provocar sérias consequências para a  mulher.

Ao realizar o aborto clandestino, a mulher guarda sua dor em silêncio ou, no máximo, compartilha com pessoas de sua intimidade. Após um aborto, a mulher pode sofrer a Síndrome pós-aborto que inclui alterações no corpo e na mente que levam a sentimentos de desprezo, angústia e ansiedade, alterando sua qualidade de vida. Quanto mais desenvolvido estiver o bebê, piores serão as consequências para a mulher.

O que leva as mulheres a correrem este risco é a gravidez indesejada, ou não planejada, na qual o  parceiro em geral não a apoia. Para lidar com isso é muito importante que a mulher busque apoio em sua família ou amigos, que a ajudem a ver a grande dádiva que é ter um filho. Nos casos mais graves, pode ser necessário um acompanhamento psicológico para lidar com esta nova fase da vida.

Quando criou o ser humano, Deus teve um plano perfeito para nós, uma vida plena, perfeita e eterna com Ele, diferente de como vivemos hoje. Mesmo assim,  nossa vida é algo sagrado para Deus e temos um mandamento para isso em Êxodo 20:13: “não matarás”. Somente Deus, que nos deu a vida, tem o direito de ,tirá-la, mesmo que seja na sua formação pois mesmo lá o Senhor já nos amava. Salmos 139: 13 e 16 diz: “Tu criaste cada parte do meu corpo; tu me formaste na barriga da minha mãe… Tu me viste antes de eu ter nascido. Os dias que me deste para viver foram todos escritos no teu livro quando ainda nenhum deles existia.

Deus é misericordioso e ainda tem planos perfeitos para sua vida, planos de uma família e um lar abençoado. Converse com Ele sobre as suas angústias, pois Ele a conhece e pode cuidar de você. Você pode descobrir que a gravidez não é o problema, mas sim algumas outras dificuldades no relacionamento que precisam ser abordados. Caso, durante a gravidez, a mulher continue sem o desejo de ter filho, existe a opção de deixar a criança para adoção logo após o nascimento. Todo o processo deve ser feito através do Conselho Tutelar.

Mas talvez você já tenha provocado um aborto e não se perdoe. Mas lembre-se que Deus a ama e pode perdoar até os erros mais graves. Vá ao encontro Dele: “arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor.” (Atos 3:19). “Por orações e súplicas, junto com agradecimentos, tornem os seus pedidos conhecidos a Deus; e a paz de Deus, que está além de toda compreensão, guardará o seu coração e a sua mente.” (Filipenses 4:6)

Por: Elaine Braz Silva casada com Ismael Braz de Oliveira, Enfermeira Auditora clínica, especialista em saúde da família, congrega na igreja Adventista da Promessa em Cumbica Base e Ponte Rasa

Referências

Aborto Como Causa de Mortalidade Materna, Domingues SRF, Merighi MAB – Rev. Enferm 2010

Morte Materna por Aborto, Resende LV, Rodrigues RN, Fonseca MC – XX encontro nacional de estudos populacionais, 2016

HTTP://www.tuasaude.com/como-lidar-com-a-gravidez-indesejada/ Acesso em jan/2018 publicado em 2016

HTTP://www.raionimendes.com.br/noticias/quais-sao-os-verdadeiros-numeros-sobre-aborto-no-brasil/20180110141421

Acesso em fevereiro de 2018 publicado em 2018

HTTP://www.cofen.gov.br/mortes-de-maes-durante-abortos-clandestinos-podem-aumentar-com-aprovação-de-pec_60329.html acessado em fevereiro de 2018 publicado em 2018