Minha vida é um livro aberto

Nas redes sociais, porém, a superexposição é altamente prejudicial

Nos tempos atuais, Facebook e Twitter são as redes sociais mais utilizadas no mundo. É evidente que elas trazem inúmeros benefícios como informação, entretenimento e a possibilidade de manter relacionamentos, ainda que à distância. Contudo, algo se tornou motivo de extrema preocupação: a superexposição da vida privada no ambiente público que elas proporcionam.

Acompanhamos, há pouco tempo, notícias de artistas que enfrentaram terríveis problemas ao terem a intimidade exposta ao mundo, depois da publicação de fotos, vídeos ou frases com conteúdos privados e íntimos. Também, como não seria assim? Nas redes sociais, os usuários publicam quase de tudo: desde o término de um relacionamento à cor das roupas íntimas que estão usando!

Pessoas alfinetam outras, postam fotos de momentos familiares e particulares, expõem o problema domiciliar, a doença que o acomete, a rotina de trabalho, o lugar em que mora, a empresa na qual trabalha, o tipo de comida que ingeriu e por aí vai. As informações vão das mais confidenciais às mais banais e triviais. Não são poucos, também, os que exibem, como que em uma vitrine, o carro novo, o computador que ganhou de aniversário, o celular que os pais lhe compraram, a moto que conseguiu financiar, o tablet de última geração que conquistou ou a roupa de grife que adquiriu.

Especialistas alertam: todo este exagero é perigosíssimo! Ele traz perigos bem reais para aquilo que é um aparente entretenimento virtual. O primeiro deles é a própria segurança. No perfil e nas páginas de cada usuário estão informações que podem, com facilidade, ser usadas por pessoas mal-intencionadas. Aliás, há quem diga que os bandidos de hoje não precisam mais ficar observando a casa de uma vítima para conhecer sua rotina ou bens: basta entrar em uma rede social!

Além dos perigos com a própria segurança, a superexposição pode trazer sérios danos à imagem. Muitas pessoas expõem o que pensam, sem qualquer tipo de critério ou pudor e, por vezes, acabam sendo mal compreendidas e até difamadas. Tornam-se pivôs de brigas e discussões, passam a ser mal vistas e, às vezes, chegam a ter a moral enlameada na praça pública de uma dessas redes.

Muitos não se importam com isso, mas uma pessoa cristã de verdade, preocupada com seu testemunho, decerto se importará. Além disso, a atitude demonstra um tanto de desequilíbrio ou fragilidade emocional. Na verdade, grande parte dos que se expõem desta forma é, em boa conta, composta por pessoas solitárias que não têm amigos de verdade com os quais possam contar para abrir o coração. Expõem-se na internet para expressar o que estão vivendo, as crises que atravessam, as expectativas que nutrem em relação ao futuro, a felicidade ou a frustração, os pensamentos que têm sobre determinada ideologia ou filosofia.

Este é um comportamento muito preocupante. A Bíblia ressalta a importância da amizade (I Sm 18:1-3; Pv 17; 18:24). Ela é essencial para nossa saúde emocional e também um poderoso instrumento de Deus para revelar sua graça. Por meio de amigos, Deus nos abençoa. A própria igreja deve ser um lugar de amizades significativas, que promovam um ambiente terapêutico e salutar.

Assim, fica a dica: cuidado com a superexposição nas redes sociais. Se você deseja abrir seu coração, faça-o com um amigo de verdade, de forma reservada. E lembre-se: você sempre poderá contar com o auxílio, a compreensão e a amizade de Jesus Cristo, que está conosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt 28:20).

Por: Kássio Lopes na edição 62 da Revista O Clarim