Quando viver  não parece uma opção

A depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde, afeta mais de cem milhões de pessoas no mundo e pode ser considerada como o transtorno mais prevalente na população. As causas da depressão são multifatoriais, um dos grupos de variáveis mais relevantes são os fatores biológicos, genéticos e psicossociais. Pesquisas apontam, que independente da cultura, existem variáveis de gênero, a incidência de depressão em mulheres é o dobro referente à população masculina.

Considerada como a doença da atualidade, pode ser encontrada em registros desde a antiguidade, por exemplo: no século IX a. C, o I Livro de Samuel no Antigo Testamento faz referência ao rei Saul, que em um momento de tensão da sua história é levado a um episódio depressivo, marcado por fortes sentimentos de fraqueza e culpa, que o conduziu para um desfecho fatal.

O que realmente provoca a depressão seria a avaliação que a pessoa faz do quanto ela pode enfrentar e suportar na vida, ou seja, o limite da capacidade de enfrentamento é que pode causar depressão. Cada um tem seu limite, para uns o limite pode ser mais elástico do que para outros, um sentimento de incapacidade persistente contribui para um esvaziamento da motivação de viver.

A afetividade é o estado de ânimo ou humor que traduz os sentimentos e as emoções, determinando as atitudes gerais de uma pessoa diante de qualquer experiência vivencial, modificando a maneira de pensar e agir. Assim, o humor será regido pelas percepções modificadas decorrentes do afeto alterado. O indivíduo depressivo apresenta perda de interesse e prazer, cansaço marcante após esforços leves, concentração e atenção reduzidas, perda de autoestima, pensamento de culpa e inutilidade, sono perturbado, apetite diminuído e visões pessimista sobre o futuro.

Na maioria das vezes, as pessoas não buscam tratamento por confundi-la com uma tristeza profunda, parecem não estar conscientes de que este estado emocional é uma doença grave e precisa de tratamento específico. Não se queixam, mas exibem sinais como retraimento da família, amigos e atividades que, anteriormente, despertava interesse. Podem verbalizar essa angústia, fazendo comentários sobre “querer morrer”, “sentimento de não valer pra nada”, e assim por diante.

Há quatro sentimentos que servem como alerta, conhecido como regra dos quatro D: depressão, desesperança, desamparo e desespero, que geralmente é existente em indivíduos com risco de suicídio. Todos esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados, fiquem atentos aos sinais acima citados, por trás deles estão os sentimentos de pessoas que podem estar em profundo sofrimento mental, enxergando no suicídio a única solução.

Por: Jéssica Fernanda de Assis Pupo – Psicóloga clínica, especialista em Saúde Mental pela FAMERP. Congrega na IAP do  Jardim Urano, São José do Rio Preto/SP.

Referências bibliográficas

FINAZZI, M. E. P. Breve Histórico sobre a Depressão. Disponível: http://www.campsm.med.br/artigos/depressao.htm (Acessado em: 03/03/2018).

 

JONES, M. C. Como enfrentar a depressão. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999

 

NOGUEIRA, G. Linguagem afetiva. Acessível em: www.psicologia.pt . Acesso em  04/03/2018.