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Escoar as frustrações com agressividade no trânsito não resolve a dor

 Hoje podemos afirmar, sem medo de deslizar na pista da história, que vivemos a era da velocidade. Você conhece o ditado: “a pressa é inimiga da perfeição”? Pois é, parece que ele não se encaixa mais no modelo de sociedade em que vivemos. Penso que a melhor frase para o momento é: “tudo é para ontem”.

Tudo o que pensamos em realizar, tudo o que desejamos comprar ou o que pretendemos conquistar (incluindo nossos relacionamentos) tem que ser pra já!

Essa tendência do “tudo para ontem” interfere nas nossas atitudes cotidianas, na forma como nos relacionamos com as pessoas, na maneira como tratamos os conflitos, no modo como reagimos às mais variadas situações.

Viver as fases da adolescência e juventude se tornou um grande desafio. Poderíamos dizer que se resume a “uma corrida de alta velocidade”: a adrenalina vai a mil e os batimentos cardíacos disparam, sinalizando um colapso físico e emocional.

De um lado, vive-se a pressão da sociedade pelo amadurecimento precoce, por outro, o sofrimento provocado pelos conflitos naturais da idade.

Considerando que as oportunidades não são iguais para todos, e que a justiça nem sempre é aplicada, de protagonistas, passamos a expectadores de uma série de cenas que culminam na bandeirada, que consagra um vencedor. Mas que também revela os que não cruzaram a linha de chegada em primeiro lugar.

Para estes, sobraram frustração, medo, raiva, infelicidade, incerteza quanto ao futuro, acusação, desprezo, descrédito, incompreensão, falta de apoio, ou seja, desclassificação.

O Pregador do livro de Eclesiastes nos alerta, no capítulo 3, que há hora para tudo acontecer e que Deus faz tudo com perfeição, no tempo certo. Os versículos 4 e 6 revelam que há tempo de rir e de chorar e que também há hora de ganhar ou de contar as perdas. Portanto, não viveremos o tempo todo felizes e nem ganharemos sempre.

O segredo está em como lidar com os eventos da vida, no tempo em que vivemos.

Escoar os sofrimentos e as frustrações com agressividade no trânsito, se metendo em brigas, desrespeitando os pais e amigos, se aliando a um grupo extremista, afogando as mágoas em uma garrafa de bebida alcoólica ou sair dando “cavalinho de pau” com o carro não vai resolver a dor. Pelo contrário, pode aumentar o desespero, se as atitudes impensadas e insensatas resultarem em tragédias ou acidentes.

O melhor a fazer é dar ouvidos aos conselhos do Pregador: “Jovem, aproveite ao máximo a juventude. Desfrute toda essa força e vigor. Siga os impulsos do seu coração, e se algo lhe parecer bom, corra atrás. Mas não se esqueça de que nem tudo é permitido: um dia, você terá de responder a Deus por tudo. Viva livre, feliz e despreocupado – você não será jovem para sempre. Afinal, a juventude se vai como uma neblina” (Ec 11.9-10 AM).

Lembre-se que Deus é soberano, atemporal, justo e misericordioso. Ele é bom o tempo todo e em todo o tempo.

Por: Maristela Montanheiro

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