Leia Mais: Legado de mãe, educadora e evangelista

Duas horas diárias com Deus, mesmo tendo dezenove filhos. Esta foi Susanna Wesley, cuja família gerou frutos para muitas gerações

Na data em que se comemora o Dia das Mães – segundo domingo de maio – vemos em destaque várias biografias de mães que se tornaram notáveis, seja porque galgaram a fama ou porque seus filhos se tornaram famosos. Porém, uma mãe especial passa despercebida pela imprensa, mas decerto não por Deus, pois os frutos de sua casa influenciaram muitas gerações. Em 73 anos de vida, Susanna Annesley Wesley deixou um legado inquestionável e se tornou referência de mãe e mulher sábia que edifica a casa. Ela foi mãe de dezenove filhos e isso já a destacaria. Entre eles, porém, estava Charles Wesley, um dos mais espirituais e conhecidos escritores de hinos evangélicos e John Wesley, homem que foi condutor de uma grande obra de avivamento na Inglaterra, no século XXVIII.

Susanna foi morar em Epworth, Lincolnshire (Inglaterra), cidade em que seu marido, Samuel Wesley, exercia o ministério pastoral. A rigidez de Samuel com os membros da congregação fez com que algumas pessoas passassem a odiá-lo e até persegui-lo, chegando a incendiar a casa da família Wesley em duas ocasiões.

Foi um tempo difícil e conturbado e, ainda assim, nada fez com que Susanna deixasse em segundo plano a criação e a educação de todos os filhos.

Ela própria os alfabetizava e evangelizava. Em sua casa, no dia seguinte ao quinto aniversário, a criança já era introduzida nos estudos com uma aula de seis horas sobre o alfabeto. Na segunda aula, com base em Gênesis, começava a decifrar palavras. Suzana garantia que seu método de alfabetização ensinava os filhos a ler e escrever em três meses.

Já adulto e conhecido, John Wesley pediu que a mãe descrevesse detalhes da criação dos filhos. Ela o fez, declarando: “Ninguém pode seguir meu método se não renunciar ao mundo no sentido mais literal. Há poucos, se houver, que devotariam cerca de vinte anos do primor de sua vida na esperança de salvar as almas dos seus filhos”.

Cultos domésticos, às dezoito horas

Em seu dia, Susanna devotava duas horas a sós com Deus. Além disso, preservava o costume de um momento a sós com os filhos, um a cada dia.

Na carta enviada a John Wesley, a mãe descreveu detalhes das regras que regiam o lar da família. Havia número certo de refeições por dia, bem como de horas de sono e descanso.

No lar dos Wesley, os cultos domésticos aconteciam todos os dias, às dezoito horas, e a reverência foi ensinada às crianças por Susanna. Elas também aprenderam cedo a dar graças à mesa.

Quando completavam o primeiro ano de vida, as crianças eram ensinadas a temer a vara e chorar com brandura. Ela afirmou que isso lhe poupava outras correções e não fazia de sua casa um lugar com barulho odioso de crianças chorando.

A rigidez com que educou os filhos desde muito pequenos visava evitar castigos mais penosos quando maiores. “Desobediência voluntária não se deve perdoar na criança, sem ser castigada, mais ou menos, de acordo com a ofensa e a circunstância.”

Logo que começavam a falar, os filhos de Susanna aprendiam a orar o Pai-Nosso, e as orações aumentavam conforme cresciam. Sobre o ensino religioso, ela destacava: “Eu insisto no vencimento da vontade da criança, cedo, porque este é o único, forte e racional fundamento da educação religiosa, sem o qual tanto o preceito quanto o exemplo ficam sem efeito. Mas, quando isto é bem feito, então a criança é capaz de ser governada pela razão e piedade dos pais, até o seu entendimento amadurecer e os princípios da religião criarem raízes na sua mente”.

Em agosto de 1742, firme na fé, Susanna Wesley faleceu, e em seus últimos momentos de vida, cercado pela família, pediu: “Filhos, assim que eu me libertar deste corpo, cantem um salmo de louvor a Deus”. Mais tarde, em seu diário, John Wesley registrou que uma multidão numerosa demais para contar esteve na cerimônia fúnebre de sua mãe.

Por: Juliana Coelho na edição 62

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